Começa Pelo Fim


Uma das mais valiosas lições a serem aprendidas em termos de alcançar objectivos, é começar pelo fim. Quando trabalhando para alcançar qualquer meta, a maioria das pessoas começa pelo princípio (soa lógico, não soa?). O problema com o começar pelo princípio, é que a maioria de nós nos focamos em onde estamos neste momento. É natural começar-mos nos nossos actuais pontos fortes e fracos, pelas nossas preferências ou nos basear nas circunstâncias presentes. Então, o que nós normalmente fazemos é dar um passo adiante (tomar a acção) baseados nestas coisas. Para muitos de nós, a direcção deste passo (e o resto que se seguirá) está tipicamente no caminho com menos resistência.

Um erro comum feito ao planejar o alcance de qualquer “meta de vários passos” acontece quando nós começamos a planejar a partir de onde nós estamos no momento presente (desde o princípio). Isto é a aproximação de “baixo para cima”. Ao contrário da convicção popular, a chave para um planeamento eficaz é projectares as tuas estratégias de “cima para baixo” (não de baixo para cima). Depois de estabelecer metas claramente definidas e específicas, a próxima coisa a fazer é desenvolveres os teus planos na ordem inversa (também conhecido como “para trás”ou “de cima para baixo”). Para fazer isto, nós precisamos de saber o que seria o passo final, para alcançar aquela meta (nota que eu não disse o primeiro passo, eu disse, o passo final). Uma vez que tenhamos esta resposta, nós precisamos saber o passo anterior ao passo final. Repetimos o processo até chegar ao nível no qual estamos agora.

Tu podes estar pensando: “qual é a importância de eu fazer planos de cima para baixo em vez de baixo para cima?” Existe alguma diferença entre de cima para baixo e de baixo para cima? Não vão todos os passos ser, exactamente, iguais?” A resposta quase sempre é: NÃO! Porquê? Bem, há muitas razões, mas a principal é esta: Quando planejares de cima para baixo (a partir do resultado final que queres obter e construindo os teus planos para trás até onde estás agora), tens  que agir COM ANTECEDÊNCIA  para ganhares o conhecimento preciso para criar o plano. Isto significa que precisas saber (ou cometer-te a aprender) o que são de facto os passos finais. A maioria das pessoas não sabe o que os passos são (o que é perfeitamente normal), e/ou não investem tempo para descobrir (isto não é bom). O que tipicamente acontece é as pessoas começarem desde o princípio (de onde estão agora mesmo), numa tentativa de fazer as coisas de baixo para cima. Entender o primeiro passo para levá-los além de onde eles estão agora é fácil de planejar. E talvez, nos próximos 3 ou 4 passos será fácil de ver como essas coisas apontam na direcção das suas metas em geral. Depois estas pessoas ficam presas na dúvida sobre quais serão os restantes passos. Em vez de realmente descobrir, começam a entrar em acção sem um plano completo. Eles dizem-se coisas deste tipo:

“Eu não sei exactamente o que fazer, mas tenho uma ideia geral das coisas óbvias que eu devia estar a fazer agora, eu vou fazer estas coisas e então tentarei entender o que fazer depois disto.”

Ou

“Eu não consigo planejar com tanta antecedência, vou começar agora e ver até onde isto me dirige.”

Imagina que uma corporação desenvolvia estratégias deste modo. O que aconteceria? Eles desperdiçariam muito tempo e dinheiro sem realmente saberem o que todos os passos são, e os seus competidores os levariam à banca rota. O que acontece quando políticos ou líderes de exércitos planejam campanhas militares deste modo? Milhares de soldados morrem desnecessariamente (existe alguém velho o suficiente para se lembrar da Guerra do Vietname?). E se, os planeadores financeiros só olhassem para estratégias de investimento em desenvolvimento, fundadas nos próximos passos, sem levar em conta outros passos de termo mais longo, mercados variáveis, leis de imposto, etc. Em todos estes casos os resultados serão quase sempre negativos.

O outro problema com construção de planos desde o princípio (de baixo para cima), é que é muito provável que os passos te levarão numa direcção que está fora curso dos resultados que querias. Seguramente, as estratégias podem evoluir com o passar do tempo mas, as hipóteses, de ficar no caminho certo são muito maiores quando souberes o que precisam ser os 5-10 passos finais, e planejares, os primeiros passos pensando nos passos posteriores.

E a seguir?

Musical Knowledge Diagram

Imagina 3 círculos (como no diagrama acima).

  1. O primeiro círculo representa tudo o que sabemos agora.
  2. O círculo do meio representa tudo sobre o qual nós temos questões, mas ainda não temos as respostas.
  3. O círculo maior representa tudo o que nós ainda nem temos noção que existe. Estas são as coisas nas quais nós somos totalmente ignorantes.

Todos nós sabemos procurar respostas para as nossas perguntas. A maioria das pessoas gastam o seu tempo procurando responder às perguntas do círculo do meio. Mas como podemos ter sucesso quando nem sequer sabemos o que é que não sabemos? Achar as respostas, as soluções, a orientação e o teu próprio caminho para alcançares o que queres vai ser muito mais difícil se não souberes quais são as perguntas certas (as do círculo maior).

Lembra-te quando eras um guitarrista principiante, e quando, não sabias nada sobre o que era preciso para te tornares num músico bom. Provavelmente, sabias que havia muito para aprender, mas naquela altura não sabias o quanto havia a ser aprendido. Por outras palavras, não sabias o que é que não sabias. Com o passar do tempo, ganhaste mais experiência e agora entendes mais sobre música do que antes. E isto é bom, muito bom. Mas se fores como a maioria das pessoas, também te apercebeste que a música é um tópico maior e mais profundo que originalmente pensaste. Quanto mais se aprende, mais fácil se torna ver o quanto há a saber. Eu lembro-me de quando entrei para a faculdade como estudante de música e pensar que eu sabia muito sobre música e só estava lá para preencher algumas lacunas no meu conhecimento, isto não era mentalidade arrogante, mas sim ignorante. Eu encontrei-me no enorme abismo de conhecimento musical que eu até aquele ponto não sabia que existia.

Isto ficou-me claramente evidente nas aulas de “física de som/ percepção musical” na Roosevelt University. O professor projectou o semestre inteiro para esta classe sem qualquer plano. Ele disse algo como: “esta é uma classe onde aprendes tudo que basicamente queres nos tópicos da física de som e percepção de música.” Ele chamou isto de “ início de aprendizagem estudantil”. O que isto significava era que, diariamente na aula nós devíamos lhe fazer qualquer pergunta sobre tópico que estávamos a estudar. No princípio, parecia muito estranho e eu não gostava do formato das aulas porque eu não precisava que ele respondesse às minhas perguntas (eu poderia estudar por mim próprio, usar o livro de texto, fazer experiências, usar outros recursos, etc.). Eu sentia que a classe era um desperdício de tempo (e de muito dinheiro). O que eu queria do professor era para ele me alertasse sobre todas as coisas do meu círculo maior. Eu queria do que ele ampliasse a minha consciência em todas as coisas sobre as quais eu era ignorante. Eu disse-lhe: “ eu posso pesquisar as minhas existentes perguntas, o que eu quero de você é que me ajude a desenvolver perguntas novas que estão além do meu nível actual de compreensão. Eu não sei o que é que não sei. Me ensine isto e o que está além do livro de texto.”

Imagina que estás procurando soluções para um problema ou desafio importante na tua vida (como tornares-te no músico que queres ser ou fazer uma carreira séria como músico profissional). Vais para uma enorme biblioteca procurar soluções. Vamos assumir que algures nesta biblioteca está um livro (ou conjunto de livros) que contém as respostas que precisas. Agora imagina que, por alguma razão estranha tu não queres pedir ao bibliotecário para te ajudar a localizar o livro que tem as soluções / respostas que buscas. Quão fácil será “ter sorte” e tropeçar no recurso certo que precisas?

Parece óbvio que o modo mais rápido para adquirir o conhecimento é ir falar com o bibliotecário e dizer-lhe, exactamente, o que procuras ou pedir-lhe que procure no banco de dados da biblioteca. Não é muito eficaz ler todos os livros na biblioteca para achar as respostas específicas ao que estás procurando. Mesmo assim, é exactamente isto que algumas pessoas tentam fazer para alcançar as suas metas musicais. Outras pessoas olham para o volumoso tamanho de informação e ficam intimidadas por isto. Estas pessoas desistem das suas metas porque parece ser “irreal” ou “impossível”.

  1. A principal razão pela qual guitarristas falham na tentativa de se tornarem grandes músicos é porque eles nunca se cometem, REALMENTE, a isto.
  2. A principal razão pela qual guitarristas falham na tentativa de se tornarem músicos profissionais é porque eles nunca se cometem, REALMENTE, a isto.

Alguns guitarristas perdem anos perseguindo coisas que não importam e ignorando coisas que sim, por causa da ignorância ou falta de vontade para se cometerem a encontrar um caminho melhor. (Eu posso-me relacionar. Eu era assim.) As que têm as maiores hipóteses de encontrar as soluções para os seus problemas ou desafios são as pessoas que procuram primeiro descobrir o que é que não sabem. Para teres as respostas certas, precisas possuir as perguntas certas. Muitas dessas respostas podem estar além do que neste momento sabes que existe (como representado no círculo maior descrito acima).

Para Começar Pelo Fim Tu Precisas:

  1. Ser especifico sobre o que de facto é o fim (este artigo pode ajudar-te).
  2. Construir os teus planos de cima para baixo (não de baixo para cima).
  3. Se não sabes como construir os planos de cima para baixo, encontra alguém que o saiba fazer.

Todas as pessoas, situações e metas são diferentes. Esboçar um completo e hipotético plano, que seja específico e detalhado, seria incómodo demais neste tipo de formato. O propósito deste artigo é dar uma luz sobre os princípios de como começar pelo fim, não de passar a limpo um plano que pode não ser pertinente a ti, às tuas metas e circunstâncias presentes.


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